Na noite de 13 de maio aconteceu a 1ª sessão solene, na qual foram entregues medalhas de Honra ao Mérito Legislativo “Tenente Antônio de Almeida Leite” e “Maria Vieira de Santana”.
A cerimônia foi uma das comemorações da semana pelos 138 anos da cidade de Pilar do Sul, assim duas pessoas foram escolhidas, por meio de sorteio, para receberem a simbólica homenagem pelos feitos durante a vida pelo município, sendo eles: José Benedito Guerra Maia e Noemia de Góes Vieira. Porém, devida a celebração dos 127 anos de abolição da escravatura, outra homenagem foi prestada – aos remanescentes do Quilombo de Pilar do Sul.
Para começar, todos os presentes se levantaram para cantar o hino nacional e municipal. Assim, foi iniciada a sessão e as homenagens. A vereadora Cristina Brisola foi à tribuna para ler a biografia de Dona Noemia, conhecida também carinhosamente por Dona Nega. Mulher que tem em sua história de vida a entrega ao próximo, como seu trabalho social na Igreja Presbiteriana, em que ajudou em confecções de acolchoados e tapetes para dar as pessoas carentes. Além de também ter feito trabalho voluntário na Santa Casa. Os parlamentares que mais tarde foram ao palanque fizeram questão de comentar seus feitos ao público, como Cristina que contou que conhece a homenageada desde pequena e viu muito dos feitos de Noemia. Em seguida, o vereador Miguel entregou a medalha à glorificada, que também ganhou arranjo de flores pelo dia das mães, entregue por Cristina Brisola. Como Dona Nega não quis fazer uso da tribuna, seu sobrinho Jairo de Góes Vieira falou por ela. “Ela é uma pessoa que eu admiro muito. Essa homenagem feita à ela é muito justa. Eu sou, talvez, o mais velho da “sobrinhada” e dou testemunho dessa biografia. Ela cuida de mim como se eu fosse seu filho e atento como se fosse minha mãe”, disse. “A coisa mais bonita é receber homenagem em vida! E que ela continue nos dando exemplos”, finalizou.
Depois foi a vez de José Benedito Guerra Maia a ter sua biografia lida na tribuna, dessa vez por Luis Proença. Quem entregou a medalha ao homenageado foi Jorge Takashi. A parlamentar Karla Pagianotto aproveitou para entregar também a mulher de José Benedito, Dirce de Oliveira Maia, arranjo de flores. “Agradeço a todos vocês, meus familiares, meus trabalhadores, meus amigos. Agradeço a todas pessoas desta casa, que me prestou esta homenagem. Não sei se eu mereço, mas estou agradecendo. Quero agradecer primeiro a Deus por ter me posto aqui, porque quanto mais tempo eu vivo aqui, mais eu gosto desta terra. Pretendo viver até o fim da minha vida aqui, porque Pilar do Sul é a terra do meu coração”, falou Zé Maia ao público.
Dando continuidade ao evento, o presidente da Câmara
Municipal, Marcos Fábio, então, relembrou que em 1888 Princesa Isabel
“proclamou os escravos libertos, conhecido como abolição da escravidão”. “Nós
sabemos que Pilar do Sul em vários momentos, principalmente no início, se
mistura muito com a escravidão. Motivo desta noite estarmos homenageando os
remanescentes quilombolas”, afirmou. Assim, a pedido de Marcos Fábio, o
vereador Luis Proença contou brevemente a história da
escravidão e dos Quilombolas. Em seguida, foi a vez do vereador Antônio de
Matos entregar a placa de homenagem à Associação dos Remanescentes do Quilombo do
Espólio do Tenente, representado por Marcos Aurélio Fernandes, presidente da
Associação.
Primeiramente eu gostaria de agradecer a presença de todos vocês e, principalmente, a comunidade Quilombola que está hoje presente. Eu gostaria que vocês tivessem uma outra visão da nossa comunidade Quilombola. Porque não somos só um grupo que quer reivindicar nossos direitos, e sim um grupo que quer se mostrar como um patrimônio cultural do nosso município, porque os afrodescendentes fazem parte da história do Brasil, e se fazem importantes a cada dia. E gostaria também que nós pudéssemos abolir da escravatura, da escravidão do trabalho, e sim da escravidão do preconceito, a escravidão do racismo e a escravidão da desigualdade”, disse Marcos Aurélio em seu agradecimento.
Alguns dos parlamentares subiram ao púlpito para dedicar carinho aos homenageados, como Luis Brisola, Cristina, Luis Proença, Miguel, João Batista, Takashi e Tilico. Depois foi a vez da prefeita Janete Pedrina, que estava presente em toda a sessão solene. “Parabenizo vocês, Noemia, José Benedito e Marcos Aurélio, que está à frente de 127 quilombolas. Que Deus abençoe a todos”, falou Pedrina.
Depois foi a vez do representante da coordenação
independente das comunidades remanescentes de Quilombo da região Sudeste (Região
de Sorocaba), Orlando José da Silva, utilizar da palavra. Ele agradeceu a todos
pela presença e cantou uma música em memória do dia 13 de maio em português e
também na língua dos escravos, conhecida também como caxambu. Para finalizar, Brisola fez sua homenagem junto aos assessores da Câmara,
André Corrêa e Guilherme Almeida, que tocaram “Oração pela Família” e “Salmo
22/23”, e Marcos Fábio parabenizou a todos e aproveitou para citar Fernando
Pessoa. “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”. “A alma de vocês não é
pequena, por isso valeu a pena a luta”, finalizou.